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Silêncio em sala de aula

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Pelo menos dois milhões de crianças e adolescentes brasileiros estão fora da escola

Por Juliana Castelo

Desde problemas para acompanhar os conteúdos até a necessidade de trabalhar cedo: o abandono escolar foi registrado em pesquisa feita pelo Ipec, a pedido do Unicef em 2022, revelando que 11% de crianças e adolescentes brasileiros deixaram a sala de aula. Ou seja, dois milhões de meninos e meninas perderam a chance de aprender, comprometendo oportunidades na vida adulta. E o último Censo 2023 mostra, ainda, que 68 milhões de brasileiros acima de 18 anos não concluíram a educação básica. Afinal, como virar essa página?

De acordo com a professora do curso de Pedagogia do Centro Universitário Estácio São Luís, Célia Cunha, é preciso ter atenção aos vários fatores que levam tantos jovens a se afastar do ambiente escolar. “Algumas motivações para essa realidade que devemos observar e ajudar a enfrentar são a falta de suporte dos pais, situações financeiras difíceis que levam os alunos a trabalhar em tempo integral, problemas de saúde mental, bullying e as dificuldades de aprendizado não diagnosticadas”, explica.

O problema também pode estar dentro da escola, segundo a especialista, quando não existe engajamento dos alunos com o currículo, problemas de disciplina ou até mesmo a qualidade do ensino oferecido. “É fundamental implementar estratégias que abordem esses fatores de forma completa”, ressalta Célia. E por que não pensar em igualdade e inclusão?

A professora acredita que somente com esforços de toda a comunidade com professores, funcionários da escola e os pais e responsáveis, é possível acolher tantos meninos e meninas que não estão estudando.

“Programas de mentoria para alunos em situação de risco, envolvimento ativo dos pais na vida escolar dos filhos, identificação precoce de problemas de aprendizado e saúde mental, criação de um ambiente escolar acolhedor e inclusivo, apoio psicológico e emocional aos alunos, além de programas extracurriculares que possam aumentar o engajamento dos estudantes são essenciais para essa mudança acontecer”, finalizou a pedagoga.

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