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Violência sexual eleva em 74% o risco de doenças cardíacas

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Reportagem/Bheatrys Soares
Mulheres vítimas de violência sexual têm 74% mais chance de desenvolver doenças cardiovasculares, como infarto e arritmias, segundo estudo baseado na Pesquisa Nacional de Saúde, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O dado amplia o debate sobre os impactos da violência na saúde e reforça a necessidade de olhar para fatores menos visíveis no controle da hipertensão arterial. Especialistas alertam que o risco cardiovascular vai além de fatores tradicionais, como alimentação inadequada e sedentarismo, e também está relacionado ao estresse crônico e a experiências traumáticas.

De acordo com o cardiologista da Hapvida, Railton Cordeiro, o estresse atua como fator decisivo nesse processo. “Ele não substitui os fatores clássicos, mas funciona como um amplificador de risco. Quando a pessoa vive em estado de alerta constante, há liberação de hormônios como adrenalina, noradrenalina e cortisol, o que aumenta a frequência cardíaca, contrai os vasos e pode elevar a pressão arterial ao longo do tempo”, explica.

O especialista destaca que o impacto do trauma vai além do aspecto emocional e provoca alterações fisiológicas importantes. “O corpo passa a funcionar como se estivesse sob ameaça permanente. Isso leva à ativação do sistema nervoso simpático, ao aumento da inflamação, à piora do sono e a alterações de pressão, glicose e ritmo cardíaco”, afirma.

Além das respostas biológicas, há também mudanças comportamentais que agravam o risco. “Muitas pessoas passam a dormir pior, se alimentar mal, praticar menos atividade física e, em alguns casos, aumentam o consumo de álcool ou cigarro. Ou seja, o trauma atinge o coração por múltiplas vias, ao mesmo tempo”, pontua o cardiologista.

Segundo o médico, a relação entre saúde mental e hipertensão é direta e não deve ser negligenciada. “Ansiedade, estresse persistente e esgotamento estão associados ao aumento da pressão, à inflamação e à pior adesão ao tratamento. Na prática, vemos pacientes que até têm acesso à medicação, mas não conseguem manter uma rotina de autocuidado, o que compromete o controle da doença”, ressalta.

O impacto tende a ser ainda mais significativo entre mulheres. Além de fatores hormonais, o acúmulo de responsabilidades contribui para maior exposição ao estresse crônico. “Muitas mulheres acumulam múltiplas jornadas e acabam priorizando o cuidado com os outros, deixando a própria saúde em segundo plano. Isso cobra um preço na pressão e no coração”, observa.

Embora seja considerada uma doença silenciosa, a hipertensão pode apresentar sinais de alerta, especialmente em contextos de estresse intenso. “Dor de cabeça frequente, palpitações, tontura, falta de ar, visão embaçada e sensação de pressão na nuca não devem ser ignoradas. Não significam necessariamente hipertensão, mas merecem investigação”, orienta.

Em longo prazo, o descontrole da pressão arterial pode levar a complicações graves. “O dano é progressivo e cumulativo. Aumenta o risco de infarto, AVC, insuficiência cardíaca, doença renal e até demência vascular. Quando o estresse entra nesse contexto, ele dificulta o controle e acelera esse processo”, alerta.

Para reduzir os riscos, o cuidado precisa ser integral, segundo o especialista. “Além de alimentação adequada e atividade física, é fundamental cuidar do sono, reduzir o consumo de álcool, parar de fumar, adotar técnicas de respiração e, quando necessário, buscar apoio psicológico. Não adianta tratar só com remédio e ignorar o ambiente emocional”, afirma.

O acompanhamento médico regular também é essencial, especialmente para pessoas expostas a estresse contínuo. “Muitas vezes, o paciente acredita que é apenas estresse, mas já apresenta pressão descontrolada, alterações metabólicas e sinais de sobrecarga. A prevenção passa por identificar cedo e agir antes que venham complicações como infarto ou AVC”, conclui o cardiologista.

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