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Não parece, mas é bullying: especialista ensina como identificar e combater a situação

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Por James Pimentel
“Gordo!”, “Magricela!”, “E aí, quatro-olhos!” “Cabelo de vassoura!” Disfarçadas de “brincadeiras”, essas são algumas ofensas bem comuns entre crianças no ambiente escolar. E não tenha dúvida: todas elas são bullying! Além de xingamentos e ofensas à aparência, zombar de deficiências físicas, criticar gostos, preferências e comportamentos também são algumas situações que se enquadram nessa prática, que hoje pode ser inclusive considerada crime.
Um estudo recente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revelou um aumento alarmante de 11,8% nos casos de suicídio no Brasil em 2022, em comparação ao ano anterior. Os dados indicam que, em média, 44 pessoas tiraram suas próprias vidas por dia no país e, em sua maioria, foram vítimas de bullying na idade escolar.
O artigo 146-A, inserido no Código Penal, define essa prática como “uma conduta violenta e sistemática que pode se manifestar de diversas formas, desde agressões físicas até humilhações virtuais”. Apesar de as crianças não serem penalmente responsáveis por seus atos, a nova legislação reforça a importância de medidas socioeducativas para aqueles que praticam bullying, visando a ressocialização e a conscientização sobre os danos causados.
A pedagoga e professora da Facimp Wyden, Ariana Lima, alerta para a importância de que pais ou responsáveis consigam identificar os sinais de que sua criança pratica esse crime, a fim de agirem de forma rápida e eficaz para combater esse problema nas escolas.
“O espaço escolar deve ser um ambiente seguro e que proporcione a inclusão das diferenças e respeito às particularidades de cada sujeito. Ao se tratar de questões ligadas ao bullying e/ ou qualquer tipo de violência declarada ou simbólica na escola, é importante que se observe nas crianças mudanças de comportamentos, isolamento social, sinais de ansiedade/ depressão, queda no desempenho das atividades e até mesmo marcas físicas de possíveis agressões”, destaca a especialista.
Segundo a professora, um dos tipos de bullying mais comuns e menos percebidos é a homofobia. “A escola, como instituição de ensino e ressaltando sua função social e de formação cidadã, deve estar atenta a comentários depreciativos sobre orientação sexual ou identidade de gênero, exclusão de atividades coletivas, comportamento agressivo dirigido a colegas por causa de sua identidade sexual”, afirma Ariana Lima.
*QUAL O PAPEL DA ESCOLA?*
Ainda segundo a pedagoga, as escolas devem implementar ações educativas que abordem diretamente o bullying e a homofobia. “Oficinas e palestras que incluam alunos, professores, funcionários e comunidade escolar devem fazer parte do cotidiano das instituições. As escolas também devem incentivar a empatia e a mediação de conflitos, para que os alunos reconheçam e lidem com comportamentos agressivos e preconceituosos, principalmente na escola, criando um ambiente de valorização, respeito e preservando a dignidade humana”, explica.
É fundamental que as instituições de ensino tenham políticas antibullying e anti-homofobia claras e eficazes. “E, se ocorrerem casos, é necessário que sejam averiguados com cuidado, com mediação e escuta ativa para apuração dos fatos com os envolvidos. Também é importante oferecer suporte psicológico e emocional para as vítimas, assegurando proteção e segurança como prioridade. No caso dos agressores, é preciso adotar medidas assertivas, desde educativas até disciplinares, dependendo da gravidade”, ressalta a especialista.
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