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O que você quer ser quando crescer?

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Quase metade dos estudantes enfrenta dificuldades na hora de escolher o curso superior
Reportagem/Jherry Dell’Marh 
O que você quer ser quando crescer? Escolher o curso superior é uma das decisões mais importantes, mas também uma das mais difíceis. Entre expectativas familiares, inseguranças e falta de autoconhecimento, muitos estudantes acabam seguindo caminhos que não refletem seus próprios desejos. De acordo com dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), quase 40% dos jovens não sabem dizer ainda que carreira irão seguir. No início do ano, época de escolha do curso superior, seja em faculdades públicas ou privadas, a pressão aumenta e transforma a escolha profissional em um verdadeiro teste emocional.
Nesse momento  de oportunidades e cobranças, histórias reais ilustram o conflito vivido por milhares de jovens. É o caso de Célio Miranda, 19. Hoje, ele sonha em cursar Economia, mas já adianta que a escolha é simples.
“Eu sempre me interessei pelo assunto. Gosto de entender como funcionam os mercados, investimentos e políticas públicas”, conta o estudante. No entanto, dentro de casa, a expectativa é outra. Filho de um advogado experiente, Célio sente o peso de um futuro já desenhado. “Meu pai tem um escritório consolidado e sempre falou que eu poderia dar continuidade ao trabalho dele depois de formado. Ele já vem preparando esse cenário há algum tempo”, relata.
Dividido entre o próprio desejo e a vontade da família, o jovem admite que a situação gera insegurança. “Não quero decepcionar meu pai, mas também tenho receio de seguir um caminho que não seja realmente o meu”, desabafa.
ESCOLHA
Para a psicóloga da Hapvida, Vivian Carneiro, esse tipo de situação é mais frequente do que se imagina. “A escolha profissional é um processo ligado à construção da identidade, ao autoconhecimento e à capacidade do jovem de reconhecer suas próprias necessidades, desejos e limites”, explica.
Segundo ela, a pressão familiar representa uma parte importante dessa escolha. “Isso acontece quando o estudante passa a direcionar sua decisão mais para atender expectativas externas do que para escutar sua própria experiência”, afirma. Quando isso acontece, o jovem se afasta do que realmente faz sentido para si e corre o risco de fazer escolhas pouco alinhadas à própria vocação.
Vivian destaca que, na maioria das vezes, essa pressão não é intencional. “Geralmente, ela nasce do desejo dos familiares de oferecer segurança financeira, estabilidade ou reconhecimento social ao jovem”, diz. No entanto, quando essas expectativas se sobrepõem à escuta do estudante, o impacto pode ser negativo. “Quando essas expectativas se sobrepõem à escuta do estudante, o processo decisório perde sua dimensão de autoria e responsabilidade pessoal”, completa.
Na prática clínica, a psicóloga observa sinais claros de que a escolha está sendo feita mais para agradar a família do que por identificação pessoal. “Um dos principais pontos é a dificuldade do jovem em falar sobre o curso escolhido com entusiasmo ou sentido”, relata. Ela acrescenta: “Observo com certa frequência um distanciamento do contato consigo mesmo, expresso por dúvidas recorrentes, necessidade excessiva de validação externa e medo de decepcionar a família”, conta.
CONSEQUÊNCIAS
Além disso, podem surgir sintomas como ansiedade, irritabilidade e sensação de obrigação. “Quando o jovem não se reconhece na própria escolha, há maior risco de sofrimento psíquico, frustração e dificuldades de permanência e satisfação no percurso acadêmico e profissional”, alerta.
A falta de autoconhecimento nessa fase também pode comprometer o desempenho ao longo da graduação. No ambiente universitário, as dificuldades emocionais e a falta de identificação com o curso escolhido podem se refletir em dificuldade de concentração, baixo rendimento acadêmico e até evasão.
Para enfrentar esse dilema, a psicóloga defende a importância da orientação vocacional e do diálogo familiar. “A orientação vocacional não se limita à indicação de um curso, mas promove a diferenciação entre demandas familiares e inclinações pessoais, fortalecendo a autonomia e a autorresponsabilidade do jovem”, explica.
Ela também ressalta o papel dos pais nesse processo. “Apoiar o percurso profissional do jovem implica escuta, confiança e respeito ao seu processo de amadurecimento”, afirma. Para Vivian, quando a decisão é tomada com consciência e apoio, as chances de realização pessoal e profissional aumentam consideravelmente.
Com milhares de vagas abertas pelo Sisu e centenas de milhares de bolsas oferecidas pelo Prouni, o acesso ao ensino superior nunca esteve tão amplo. Mas, como lembra a especialista, tão importante quanto ingressar no Ensino Superior é escolher um caminho que esteja em sintonia com quem o estudante realmente é. “Entre vocação e pressão, encontrar a própria voz pode ser o primeiro passo para uma trajetória mais saudável e satisfatória”, conclui a profissional.
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