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Posso espiar o celular do meu filho?

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Monitoramento deve vir acompanhado de diálogo e transparência, afirma especialista
Reportagem/Jherry Dell’Marh
Se você tem um filho adolescente em casa, com certeza já está familiarizado com a cena: são horas na frente do celular, trocando mensagens, assistindo a vídeos, jogando ou interagindo nas redes sociais. Enquanto observam a situação, os pais se perguntam até onde devem acompanhar essa rotina digital. Afinal, é correto monitorar o celular dos filhos?
Para a psicóloga Maria Eduarda Bonfim Oliveira, professora da Unifacimp Wyden, a resposta é sim, mas com ressalvas. Segundo ela, o acompanhamento faz parte da responsabilidade dos pais, especialmente durante a infância e a adolescência, períodos em que crianças e jovens ainda estão desenvolvendo habilidades para lidar com riscos e tomar decisões seguras.
“O monitoramento deve vir acompanhado de diálogo e transparência. Quando existe comunicação aberta, o filho entende que o objetivo não é controlar sua vida, mas protegê-lo”, explica.
PERIGOS
A preocupação dos pais não é exagero. O ambiente digital é divertido, oferece oportunidades de aprendizado e socialização, mas também pode expor crianças e adolescentes a situações perigosas.
Entre os principais riscos estão o cyberbullying, golpes virtuais, exposição excessiva da imagem, aliciamento por desconhecidos e até situações de violência psicológica ou sexual. Jogos online e aplicativos de conversa também podem facilitar o contato com pessoas mal-intencionadas.
Além disso, segundo a especialista, crianças e adolescentes tendem a ser mais vulneráveis à influência de conteúdos e influenciadores digitais. “Nessa fase da vida, áreas do cérebro ligadas ao julgamento crítico e ao controle dos impulsos ainda estão em desenvolvimento. Isso faz com que eles tenham mais dificuldade para avaliar riscos e questionar informações que recebem online”, explica.
Vigilância não substitui conversa
Apesar dos riscos, Maria Eduarda alerta que vigiar cada passo do filho no ambiente digital não é a estratégia mais eficaz. Segundo ela, o diálogo é a melhor alternativa: conversar sobre o uso da internet, explicando os perigos de forma clara e adequada à idade.
“Quanto mais conhecimento a criança ou adolescente tiver sobre os riscos digitais, maiores são as chances de reconhecer situações perigosas e pedir ajuda quando necessário”, destaca.
ALERTA
Alguns comportamentos podem indicar que o uso da tecnologia está ultrapassando limites saudáveis.
“Entre os sinais que merecem atenção estão irritação excessiva quando o celular é retirado, perda de interesse por atividades fora do ambiente digital, dificuldade para dormir, uso constante de expressões ou comportamentos reproduzidos de tendências da internet e consumo frequente de conteúdos inadequados para a faixa etária”, enumera a especialista.
Nessas situações, os pais podem precisar intensificar o acompanhamento e até restringir temporariamente o acesso aos dispositivos. Ainda assim, é preciso entender que monitoramento e confiança não são estratégias opostas. “Ferramentas de controle parental, como aplicativos que limitam tempo de tela e acesso a determinados conteúdos, podem ser utilizadas como parte de acordos familiares previamente combinados”, orienta.
A forma de supervisão também deve evoluir ao longo do crescimento dos filhos. Durante a infância, o acompanhamento costuma ser mais direto, com controle maior sobre horários, aplicativos e conteúdos acessados. Já na adolescência, o foco deve migrar gradualmente para o diálogo, a orientação e a construção de autonomia.
A ideia é que o jovem aprenda a fazer escolhas seguras por conta própria, sabendo que pode recorrer à família sempre que enfrentar alguma dificuldade. “Nossa meta não deve ser criar adolescentes dependentes da vigilância dos pais, mas jovens capazes de navegar pelo ambiente digital com responsabilidade, senso crítico e segurança”, conclui Maria Eduarda.
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