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Caso de Fernando Henrique Cardoso reacende debate sobre os primeiros sinais do Alzheimer  

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Reportagem/Bheatrys Soares
O recente aniversário de 95 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso trouxe à tona uma discussão importante sobre o Alzheimer, doença neurodegenerativa que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Diagnosticado com a enfermidade e atualmente sob curatela judicial, FHC representa uma realidade enfrentada por inúmeras famílias brasileiras que convivem diariamente com os desafios impostos pela doença.

Segundo a neurologista Bárbara Azevedo, professora do Instituto de Educação Médica (IDOMED), o Alzheimer é a forma mais comum de demência e provoca uma deterioração progressiva das funções cognitivas.

“Trata-se de uma doença neurodegenerativa que afeta inicialmente a memória recente, mas que, com a evolução do quadro, pode comprometer a linguagem, a capacidade de tomada de decisões, o reconhecimento de pessoas e até mesmo a realização de atividades simples do dia a dia”, explica a especialista.

ALERTAS

Embora o esquecimento ocasional faça parte do envelhecimento normal, alguns sintomas podem indicar a necessidade de avaliação médica. Entre eles estão a dificuldade frequente para lembrar informações recentes, repetição constante de perguntas, desorientação em locais conhecidos, alterações de comportamento e dificuldade para realizar tarefas habituais.

De acordo com Bárbara Azevedo, identificar os sinais precocemente pode fazer toda a diferença no acompanhamento da doença. “Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as possibilidades de implementar estratégias que contribuam para retardar a progressão dos sintomas e preservar a autonomia do paciente por mais tempo”, destaca.

Atualmente, não existe cura para o Alzheimer. No entanto, medicamentos e terapias multidisciplinares podem ajudar a controlar sintomas, retardar a evolução da doença e proporcionar melhor qualidade de vida.

O tratamento costuma envolver acompanhamento neurológico, estimulação cognitiva, prática regular de atividades físicas, alimentação equilibrada e controle de doenças associadas, como hipertensão, diabetes e colesterol elevado.

Além dos medicamentos, atividades que estimulam o cérebro, como leitura, jogos de raciocínio, interação social e exercícios de memória, podem contribuir para manter as funções cognitivas ativas por mais tempo.

Outro aspecto essencial no enfrentamento do Alzheimer é o apoio familiar. À medida que a doença avança, o paciente passa a depender cada vez mais de cuidados e supervisão. “A família se torna peça central no tratamento. O acolhimento, a paciência e a adaptação da rotina são fundamentais para garantir segurança e dignidade ao paciente”, afirma a neurologista.

A especialista ressalta ainda que os cuidadores também precisam de atenção. O desgaste físico e emocional provocado pelos cuidados contínuos pode gerar sobrecarga, ansiedade e até depressão. “Por isso, a orientação é que familiares busquem redes de apoio, acompanhamento profissional e dividam responsabilidades sempre que possível”, conclui.

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