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Texto/opinião do leitor e eleitor

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sobrevivência.

Quando perdeu espaço, reorganizou-se. Quando enfrentou adversidades, buscou novos caminhos. Quando antigos aliados se afastaram, outros foram incorporados. E, sobretudo, nunca deixou de trabalhar para manter uma base política viva.

Essa talvez seja uma das grandes diferenças entre os dois grupos.

Um grupo parece ter apostado mais na força da estrutura que havia conquistado; o outro aprendeu, nas derrotas, que estrutura política precisa ser permanentemente reconstruída.

Na política, não basta vencer uma eleição. É preciso saber o que fazer depois da vitória.

Não basta ter sobrenome. É preciso ter liderança.

Não basta receber um legado. É preciso honrá-lo.

E, principalmente, não basta reunir pessoas enquanto se está no poder. É preciso saber mantê-las próximas quando o poder começa a diminuir.

A história política de Timon mostra que nenhum grupo é eterno.

O eleitor muda. As alianças mudam. As circunstâncias mudam. As gerações mudam.

Quem ontem era adversário pode amanhã ser aliado. Quem ontem estava no mesmo palanque pode amanhã estar do outro lado. E quem imagina que determinada liderança jamais perderá força pode ser surpreendido justamente quando acredita estar mais forte.

Talvez essa seja a principal lição deixada pelas trajetórias de Socorro Waquim e Chico Leitoa: os dois construíram, cada um à sua maneira, capítulos importantes da história política de Timon. Mas a maneira como seus grupos foram conduzidos ao longo do tempo produziu resultados diferentes.

Chico Leitoa construiu um grupo. Socorro Waquim conseguiu, mesmo diante das adversidades, manter o seu grupo politicamente vivo.

E quando se fala em política, sobreviver também é uma forma de vencer.

O problema começa quando a liderança deixa de ouvir. Quando a crítica passa a ser encarada como traição. Quando os aliados são tratados como peças descartáveis. Quando a vaidade substitui o diálogo e quando se acredita que o poder conquistado será permanente.

É nesse momento que o grupo começa a diminuir por dentro, mesmo que ainda pareça grande por fora.

A política não costuma derrubar ninguém de uma só vez.

Ela cobra aos poucos.

Primeiro, perde-se um aliado. Depois, outro. Em seguida, uma liderança intermediária. Mais adiante, uma eleição. E quando se percebe, aquilo que parecia um grande império político já não tem a mesma capacidade de mobilização.

Por isso, a frase do leitor merece reflexão:

quem planta arrogância pode colher solidão política.
Quem divide, enfraquece.
Quem não sabe multiplicar, desaparece.
E quem acredita que o poder é eterno descobre, quase sempre tarde demais, que o tempo é implacável.

Timon já assistiu a esse filme.

E a política timonense ainda está longe de escrever seu último capítulo.

Fica a reflexão. Fica a lição.

Porque legado político não é simplesmente algo que se herda.

Legado se constrói. Legado se honra. Legado se amplia. E, acima de tudo, legado precisa ser transmitido para que sobreviva ao seu próprio criador.

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