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Muito além das figurinhas: álbum da Copa fortalece laços entre gerações e promove desenvolvimento infantil

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Reportagem/Tayã Santana
Ruas pintadas, bandeiras estendidas e decorações por toda parte em verde e amarelo: esses são só alguns exemplos de tradições resgatadas de quatro em quatro anos com a chegada da Copa do Mundo. Outra tradição que nunca perde força durante o principal torneio de futebol do planeta são os álbuns de figurinhas: o álbum da Copa foi a publicação mais vendida do Brasil em maio de 2026, com 125.708 exemplares da versão brochura vendidos apenas naquele mês, segundo levantamento do mercado editorial.
Entre 30 de abril e 27 de maio, aplicativos e empresas relacionados à venda de figurinhas relatam movimentação financeira de mais de R$ 45 milhões, entre vendas e entregas de álbuns e pacotinhos. A demanda está tão alta que diversos países registraram falta de pacotinhos e necessidade de reposição emergencial, com a própria Panini admitindo que a procura superou as expectativas. Vale lembrar que, com 980 figurinhas comuns e 68 especiais, o álbum atual é o maior da história das Copas, representando um crescimento de 46% em relação ao torneio de 2022.
OS BENEFÍCIOS
Além da diversão que é colecionar, trocar figurinhas e preencher os espaços em branco no álbum, um dos principais pontos positivos do álbum da Copa é a sua capacidade de unir gerações. É o caso, por exemplo de José Orlean Borges e seu filho, Heitor Borges, de 8 anos, que hoje colecionam as figurinhas do álbum da Copa do Mundo de 2026.
José Orlean explica que o futebol faz parte de sua vida desde a infância, seja na prática esportiva ou acompanhando tudo o que envolve o esporte. Ele também compartilha que sente um enorme prazer em abrir cada pacote e colar cada figurinha ao lado do filho, já que essa era uma atividade que realizava anos atrás e que, há algum tempo, se transformou em um programa de pai e filho.
“Fico muito feliz em ter esse momento junto ao Heitor. Ficamos muito animados, principalmente na expectativa de tirar figurinhas de ídolos mundiais do futebol, como Messi e Cristiano Ronaldo. É um prazer e um privilégio imenso poder compartilhar isso com meu filho”, completa, emocionado.
O coordenador do curso de Psicologia do UniFacimp Wyden, Judson Alves, comenta que, em uma época dominada por telas, redes sociais e interações digitais, um objeto simples e carregado de nostalgia, como o álbum de figurinhas, acaba promovendo algo essencial: a conexão humana.
“Diferentemente de atividades individuais, ele cria uma necessidade real de interação. Você não completa um álbum sozinho; precisa do outro. Precisa conversar, trocar e negociar. E é nesse processo que acontecem coisas muito interessantes sob a ótica do desenvolvimento psicológico, como o diálogo direto, o amadurecimento social, a leitura de expressões e até a tolerância à frustração”, acrescenta o especialista.
Além do aspecto social, os álbuns da Copa também podem contribuir para o desenvolvimento de habilidades cognitivas importantes, especialmente entre crianças. O ato de organizar as figurinhas, localizar números, identificar seleções e acompanhar o progresso do preenchimento estimula competências como atenção, memória, raciocínio lógico, percepção visual e organização. Para os menores, a atividade ainda pode reforçar conteúdos matemáticos, como contagem, sequências numéricas e noções de probabilidade.
Outro benefício pedagógico está relacionado à ampliação do repertório cultural e geográfico. Ao conhecer diferentes países, bandeiras, idiomas, uniformes e símbolos nacionais, crianças e adolescentes têm a oportunidade de aprender de forma lúdica sobre geografia, diversidade cultural e até história do esporte. Em contextos escolares, o álbum pode inclusive servir como ponto de partida para atividades interdisciplinares envolvendo Matemática, Geografia, História, Língua Portuguesa e Educação Física.
Judson também destaca a importância da participação dos pais, como no caso de José Orlean e Heitor, que estão sempre próximos durante a atividade. Segundo ele, a proximidade de pais e filhos pode inclusive garantir que as trocas e negociações sejam justas.
“Podem existir trocas injustas, exclusões ou até competitividade excessiva. Por isso, o papel dos adultos, como os pais, responsáveis e professores, por exemplo, é fundamental para mediar essas experiências e garantir que elas sejam saudáveis”, finaliza o coordenador do curso de Psicologia do UniFacimp Wyden.
SAIBA MAIS
Os álbuns de figurinhas da Copa do Mundo são produzidos no Brasil desde 1950. Na época, eram distribuídos pela Fábrica de Balas A Americana, conhecida pelas “Balas Futebol”.
De forma oficial e licenciada pela FIFA (Federação Internacional de Futebol Associado), a primeira coleção foi lançada na Copa do Mundo de 1970, realizada no México, e produzida pela editora italiana Panini, que mantém os direitos até hoje.
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