São Luís do Maranhão sedia exposição de videomapping em 2026, com artistas da região; confira os detalhes
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“Sou da região de Cocais, eu nasci e cresci em Coroatá. Essa é uma cidade que é dividida pela linha de trem. Eu era fascinada, quando criança, em ficar sentada perto, no mato, observando os homens que trabalhavam dentro desse trem de carga. Eu via eles saindo, descendo, carregando coisas super pesadas e voltando. E eles pareciam não ter nenhum tipo de vaidade. Eu ficava comovida pela natureza real das coisas”, revela Acaique.
Trabalhando com graffiti na região desde 2003, Inke tem o desafio de transpor sua arte e às experiências ao longo de um trimestre de produção, para conectar públicos distintos na exposição em São Luís. Em diálogo com a investigação sobre memória e presença na região, a mostra ainda destaca as inquietações de Ramusyo Brasil; artista interdisciplinar, professor e pesquisador em pós-doutorado no Maranhão.
Traçando esse passado e presente das comunidades ao redor da Estrada de Ferro Carajás (EFC), as narrativas se ressignificam também a partir de ‘contranarrativas’, expostas pelo trabalho da artista visual maranhense, Silvana Mendes. “A maneira que a memória se transforma em arte no meu trabalho é crucial e essencial, na verdade. Então, um povo sem memória é, tecnicamente falando, um povo sem identidade. Se você tira a identidade de um povo, você transforma ele em qualquer coisa que você quiser. Quando o trabalho é pautado dentro desse lugar, ele é importante nessa manutenção, nesse resgate e nessa pontuação onde a memória é uma construção coletiva e pessoal essencial para a manutenção e criação da nossa identidade”, afirma.
Sendo esse fio condutor que atravessa gerações de maranhenses, a memória da região também é um terreno fértil para a criação de Dinho Araújo. O antropólogo, artista e curador maranhense, revisita tradições populares como o bumba-meu-boi e associa elementos folclóricos e o paisagismo para criar um MAPA poético em torno do movimento. Nesse cenário, o artista convida o público a perceber conexões entre territórios e a diversidade biológica, cultural e espiritual do Maranhão.


