Poupança não melhora com deflação, diz especialista 

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Caderneta tem rendimento real negativo, apesar de menor inflação. Economistas sugerem alternativas 

De acordo com o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), no mês de julho foi registrada uma queda inflacionária de 0,68%, sendo a menor taxa registrada desde a década de 80. Segundo especialistas financeiros, a deflação simboliza um movimento contrário ao da inflação, ou seja, de redução de preços. Entretanto, a queda dos valores não reflete melhoria dos rendimentos de poupança, mas pode, a médio e longo prazo, resultar em perdas de investimento.

Ainda vale a pena depositar na poupança? Um levantamento da plataforma de dados financeiros TC/Economatica indica, no comparativo entre os meses de julho de 2021 e 2022, uma rentabilidade da caderneta de poupança negativa em 3,52%, sendo o valor corrigido com os juros abaixo da realidade inflacionária. A coordenadora do curso de Ciências Contábeis do UNINASSAU – Centro Universitário Maurício de Nassau em Teresina, Elisa Barroso, pontua que a deflação também tem reflexos na redução do rendimento, pois todos os valores e taxas se relacionam. “Tudo corrobora para uma poupança desinteressante. Temos uma contínua desvalorização da nossa moeda e rentabilidade que não acompanha a taxa Selic, sendo esta uma diretriz para a valorização da caderneta. E temos um outro agravante relacionado àquele ditado bastante ouvido na economia: ‘de onde muito se tira, falta’. Não tem como render se a pessoa está sempre tirando. Claro, por necessidade. Mas não funciona desta forma”, explica Elisa.

A administradora financeira Elisa Barroso detalha que a deflação, de forma isolada, não teria efeitos diretos na poupança. Mas, analisando o comportamento da economia, o descompasso duradouro pode trazer perdas reais relacionadas à produção, mercado de trabalho, perda do poder de compra e menores aportes na poupança. “Acontece um movimento inverso. Se poupa para ter um dinheiro disponível. Mas, por conta da desvalorização do real, ao final de 12 meses, o investidor teria um valor menor do que o aplicado. Não é contraditório tudo isso? Até rende, mas a inflação corrói. E a deflação? O efeito sobre qualquer aplicação de pouca volatilidade, como é o caso da poupança, é temporal, de médio prazo. Pela falta de incentivo em depositar, falta dinheiro para poupar. Se os preços caem, os rendimentos das empresas caem, isso puxa o desemprego e desemprego puxa o aumento do preço geral dos produtos e serviços, pois foram reduzidas as produções. É uma cadeia. Por isso, uma inflação ideal gira em torno de 2% a 3%”, finaliza Elisa Barroso.

A orientação de economistas e especialistas em finanças é que a população tenha um olhar menos conservador referente à totalidade de investimentos em poupanças. Com produtos de renda fixa, a possibilidade de rendimentos reais e maiores são a regra e, por esta razão, torna-se essencial a procura por cursos e a informações sobre o tema. Por Ricardo Mousinho, da Assessoria Uninassau.

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A administradora financeira Elisa Barroso detalha que a deflação, de forma isolada, não teria efeitos diretos na poupança. Mas, analisando o comportamento da economia, o descompasso duradouro pode trazer perdas reais relacionadas à produção, mercado de trabalho, perda do poder de compra e menores aportes na poupança. “Acontece um movimento inverso. Se poupa para ter um dinheiro disponível. Mas, por conta da desvalorização do real, ao final de 12 meses, o investidor teria um valor menor do que o aplicado. Não é contraditório tudo isso? Até rende, mas a inflação corrói. E a deflação? O efeito sobre qualquer aplicação de pouca volatilidade, como é o caso da poupança, é temporal, de médio prazo. Pela falta de incentivo em depositar, falta dinheiro para poupar. Se os preços caem, os rendimentos das empresas caem, isso puxa o desemprego e desemprego puxa o aumento do preço geral dos produtos e serviços, pois foram reduzidas as produções. É uma cadeia. Por isso, uma inflação ideal gira em torno de 2% a 3%”, finaliza Elisa Barroso.
A orientação de economistas e especialistas em finanças é que a população tenha um olhar menos conservador referente à totalidade de investimentos em poupanças. Com produtos de renda fixa, a possibilidade de rendimentos reais e maiores são a regra e, por esta razão, torna-se essencial a procura por cursos e a informações sobre o tema. Por Ricardo Mousinho, da Assessoria Uninassau.