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Ansiedade atinge cerca de 18 milhões de brasileiros: você sabe como ajudar alguém durante uma crise?

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Psicóloga orienta como reconhecer os sinais, acolher a pessoa em sofrimento e evitar atitudes que podem piorar o momento
Bheatrys Soares
Os transtornos de ansiedade estão entre os principais desafios de saúde mental enfrentados pelos brasileiros. Segundo dados divulgados pela Organização Pan-Americana da Saúde e Organização Mundial da Saúde (Opas/OMS), problemas relacionados à condição atingem 9,3% da população brasileira, o equivalente a cerca de 18,6 milhões de pessoas. Mesmo sendo um problema tão comum, muitas pessoas ainda não sabem como agir quando alguém próximo enfrenta uma crise.
O coração acelera, a respiração fica curta, o corpo treme, o peito aperta e a sensação pode ser de perda de controle ou de que algo muito ruim está prestes a acontecer. Para quem vive uma crise, o momento pode ser assustador. Para quem está por perto, surge uma dúvida importante: como ajudar sem piorar a situação?
Reconhecer para ajudar
De acordo com a psicóloga da Hapvida, Débora Pereira, a crise de ansiedade pode provocar sintomas físicos e emocionais intensos. Entre os sinais mais comuns estão aceleração dos batimentos cardíacos, falta de ar ou sensação de sufocamento, tremores, suor excessivo, tontura, náuseas, sensação de aperto no peito, inquietação, medo intenso e sensação de perda de controle.
“Em alguns casos, a pessoa pode acreditar que está tendo um problema cardíaco ou correndo risco de morrer”, explica a especialista.
Diante de uma crise, a principal orientação é manter a calma e transmitir segurança. Segundo Débora, a pessoa deve ser acolhida em um ambiente tranquilo, com poucos estímulos e sem excesso de pessoas ao redor. “Incentive-a a respirar mais lentamente, sem pressioná-la. Fale de forma calma e objetiva. Permanecer ao lado dela, ouvir sem julgamentos e reforçar que a crise vai passar também costuma ajudar”, orienta.
Além de saber o que fazer, é importante entender o que deve ser evitado. Frases como “isso é frescura”, “você precisa se controlar”, “não é nada” ou “pare de pensar nisso” podem aumentar o sofrimento, porque invalidam aquilo que a pessoa está sentindo.
A psicóloga reforça que críticas, julgamentos, discussões ou insistência para que a pessoa se acalme imediatamente também devem ser evitados. Mesmo quando a intenção é ajudar, minimizar a crise pode gerar ainda mais angústia e sensação de incompreensão.
Quando buscar ajuda profissional
A busca por ajuda profissional é recomendada quando as crises se tornam frequentes, provocam sofrimento intenso ou começam a prejudicar a rotina, o trabalho, os estudos e os relacionamentos. Já o atendimento médico deve ser procurado imediatamente quando houver sintomas físicos graves, dúvida sobre a causa dos sintomas, risco à segurança da pessoa ou quando for a primeira crise e não houver certeza de que se trata de ansiedade.
“É importante lembrar que uma crise de ansiedade não é frescura nem falta de controle. Nesse momento, acolhimento, escuta e empatia costumam ser mais eficazes do que conselhos ou cobranças. Além disso, quando os sintomas se tornam frequentes ou começam a impactar a rotina e a qualidade de vida, buscar ajuda profissional é fundamental”, reforça Débora.
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