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Mais remédios, mais saúde? Nem sempre

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Excesso de medicamentos pode perigoso, especialmente para idosos
Reportagem/Jherry Dell’Marh
Tomar um remédio para a pressão alta, outro para controlar a diabetes e mais outro para dormir. Complementar a alimentação com vitaminas, suplementos, chás naturais e, às vezes, até mesmo combater um sintoma passageiro com até aquele comprimido que sobrou da última receita. Para muita gente, especialmente idosos e pacientes com doenças crônicas, essa já é a rotina diária. O problema é que, quando os medicamentos começam a se acumular, os riscos para a saúde também aumentam, e o que deveria fazer bem acaba por prejudicar o organismo.
Conhecida tecnicamente como polifarmácia, essa condição já faz parte da realidade de milhões de brasileiros. Levantamento publicado na Revista Brasileira de Epidemiologia aponta que entre 25% e 36% dos idosos brasileiros utilizam cinco ou mais remédios de uso contínuo simultaneamente. Mais grave ainda: um estudo divulgado pela SciELO revela que o problema cresce com o avanço da idade e pode aumentar em até 62% o risco de mortalidade entre idosos.
Mas o perigo é só a quantidade de remédios. A farmacêutica e professora da Estácio, Elizângela Motta, explica que, quando o consumo de remédios é muito alto, diversos fatores estão associados e merecem ser considerados. “A idade, as doenças preexistentes, o tempo de uso dos medicamentos, a automedicação e até medicamentos tomados fora da lista principal interferem diretamente nos resultados para o organismo daquele paciente”, explica.
Segundo ela, a população idosa merece especial atenção porque, além de normalmente utilizarem mais medicamentos, possuem um metabolismo diferente e maior vulnerabilidade a efeitos adversos. “O metabolismo hepático e renal já não funciona da mesma forma. Isso acaba trazendo um ponto de atenção muito mais específico”, afirma.
E os riscos vão muito além de “um remédio cortar o efeito do outro”. Segundo a especialista, algumas combinações podem potencializar toxicidades, mascarar sintomas e até gerar reações adversas confundidas com novas doenças. “Às vezes, o paciente apresenta um efeito causado pela interação medicamentosa, mas aquilo pode ser interpretado como outra doença, levando à prescrição de mais medicamentos”, alerta.
Para evitar esse tipo de situação, Elizângela orienta que os pacientes que fazem uso de medicação contínua mantenham sempre uma lista atualizada com todos os medicamentos em uso e as doenças preexistentes e levem essas informações para todas as consultas médicas. A recomendação é válida não só para remédios prescritos, mas também para vitaminas, suplementos, fitoterápicos e chás naturais. “Muitas vezes o paciente consulta profissionais diferentes e não leva uma lista do que já utiliza. Isso favorece interações medicamentosas e até prescrição por duplicidade”, explica.
Segundo a especialista, o hábito simples de registrar os medicamentos pode ajudar médicos e farmacêuticos a identificarem possíveis riscos, evitarem combinações perigosas e ajustarem melhor horários e dosagens dos tratamentos. “Existe uma ideia de que produto natural não faz mal, mas isso não é verdade. Chás, fitoterápicos e suplementos também interferem na absorção dos medicamentos e no metabolismo do organismo. Tudo precisa ser informado ao médico e ao farmacêutico”, reforça.
Ela destaca ainda o papel do farmacêutico no acompanhamento desses pacientes. “O farmacêutico ajuda a promover o uso racional dos medicamentos, orienta sobre horários corretos, possíveis reações adversas e acompanha melhor a adesão ao tratamento. A intenção é respeitar a prescrição médica e ajudar o paciente a utilizar os medicamentos da forma mais segura possível”, conclui
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