Reportagem/Bheatrys Soares
A partir de 1º de abril de 2026, os preços dos medicamentos no Brasil poderão sofrer reajuste de até 3,81%. O aumento, que ocorre anualmente, impacta diretamente o orçamento da população, especialmente de pacientes que dependem de tratamentos contínuos e não podem interromper o uso dos medicamentos.
O reajuste é definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão responsável por estabelecer o teto de aumento autorizado para o setor. Esse percentual não é aplicado automaticamente, mas serve como limite máximo que pode ser praticado por laboratórios e farmácias, de acordo com a concorrência de cada produto. Para chegar aos índices, são considerados fatores como a inflação do período, a produtividade da indústria farmacêutica, custos de produção e a variação cambial.
Segundo a farmacêutica e coordenadora do curso de Farmácia da Estácio, Elizângela Mota, o processo segue critérios técnicos e busca equilibrar diferentes interesses. “Os medicamentos passam por reajustes anuais porque seus preços são regulados pelo governo, levando em consideração fatores como inflação, custos de produção e variação cambial. O objetivo é equilibrar o acesso da população aos medicamentos e a sustentabilidade da indústria”, explica.
Apesar de o percentual parecer baixo à primeira vista, o impacto pode ser significativo no dia a dia. “Mesmo sendo um percentual aparentemente pequeno, esse aumento pode comprometer o orçamento familiar, principalmente para pacientes com doenças crônicas que dependem de medicamentos de uso contínuo”, alerta a especialista.
ECONOMIA
Diante desse cenário, especialistas recomendam planejamento e pesquisa como aliados para reduzir custos sem comprometer a saúde. Comparar preços entre diferentes farmácias, buscar programas de desconto oferecidos por laboratórios e verificar a disponibilidade de medicamentos pelo programa Farmácia Popular estão entre as principais estratégias.
Outra alternativa importante são os medicamentos genéricos, que costumam ter preços mais acessíveis. “Eles são eficazes, possuem a mesma qualidade dos medicamentos de referência e passam por rigorosos testes, sendo uma opção confiável para a população”, destaca Elizângela Mota. No Brasil, os genéricos são aprovados pela Anvisa após comprovarem bioequivalência, ou seja, apresentam o mesmo princípio ativo, dose, segurança e efeito terapêutico dos medicamentos de marca.
Mas se, mesmo assim, manter o tratamento medicamentoso pesar no bolso, a especialista faz um alerta importante: qualquer mudança no tratamento deve ser feita com orientação profissional. Substituir medicamentos por conta própria, interromper o uso ou alterar doses pode comprometer a eficácia do tratamento e trazer riscos à saúde. “Nunca troque o remédio por um de princípio ativo diferente sem orientação médica. Sempre busque orientação de um profissional de saúde antes de qualquer substituição. Observe também a duração do tratamento e não interrompa o uso antes do tempo devido”, conclui.