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Ludopatia: Vício em bets já afeta milhões de brasileiros

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Reportagem/Juliana Castelo
No Brasil, uma pesquisa revelou que quase 11 milhões de brasileiros têm sintomas de dependência em jogos e apostas. Especialistas reforçam a necessidade de tratamento.
A popularização dos aplicativos de apostas esportivas e jogos azar transformou o celular em um “cassino de bolso” para milhões de brasileiros. A situação acendeu um alerta para a saúde pública devido ao avanço do número de pessoas viciadas nesse tipo de atividade. Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que quase 11 milhões de brasileiros têm sintomas de dependência em jogos e apostas. Esse vício, inclusive, já é classificado como doença pela Organização Mundial de Saúde, chamado de ludopatia.
A psicóloga do Instituto de Educação Médica (Idomed), Ana Beatriz de Oliveira, explica que é preciso compreender que a ludopatia se trata de uma patologia que exige cuidado.
Entre os sinais de alerta estão: aumento progressivo das apostas; irritabilidade e ansiedade quando não joga; pensamentos obsessivos sobre estratégias para próximas rodadas; insistência em jogar mesmo com prejuízos financeiros; tentativas de recuperar perdas a qualquer custo; e mentiras para familiares ou amigos para sustentar o vício. “Todos esses são indicativos claros de que há algo errado e de que é hora de procurar ajuda profissional”, reforça.
A especialista destaca que o vício em bets compartilha características semelhantes com os transtornos por uso de substâncias químicas. “Ela envolve perda de controle, necessidade de repetição, sintomas de abstinência como irritabilidade e baixa tolerância. Além da vergonha, muitos ainda têm dificuldade em compreender que é uma doença, e isso atrapalha a busca por ajuda”.
O tratamento passa por acompanhamento psicológico estruturado, em especial com terapias como a cognitivo-comportamental, além de grupos de apoio específicos para jogadores. “Encontros coletivos criam uma rede de troca e suporte muito rica. Aliado a mudanças de rotina e hábitos, o paciente encontra recursos para reduzir gatilhos e prevenir recaídas”, afirma a psicóloga, que destaca que “informação, acolhimento e acesso a serviços especializados são fundamentais para que essas pessoas possam retomar sua vida, antes que o vício destrua vínculos familiares e acumule ainda mais prejuízos financeiros, emocionais e sociais”.
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