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Distúrbio de imagem: o que é?

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Ficar desconfortável com a própria imagem ao natural, se enxergar mais gorda (ou mais magra) do que realmente é, estranhar o próprio rosto; esses são alguns sintomas do distúrbio de imagem

Por Elainy Castro

Durante a série ‘Angélica 50 & Tantos’, a cantora Sandy foi entrevistada e revelou que não fica sem maquiagem, nem mesmo quando está em casa. Ao ser questionada do porquê ter tomado tal decisão, a famosa afirma não se sentir à vontade ao ser vista “nua e crua” e confessa não se sentir bonita, nem confortável.

“Eu vejo vocês postando fotos sem filtro e eu não consigo fazer isso”. Em outro trecho, a cantora diz: “Eu acho que é porque eu cresci assim, me vendo maquiada, me vendo arrumada e sendo tão exposta. Para mim é normal. A minha cara é aquela, é essa que as pessoas me veem pronta. Eu estou desacostumada com minha cara normal, lavada”.

A declaração surpreendeu os espectadores, que não imaginavam que a cantora passava por algum tipo de conflito com a própria autoestima. Assim como Sandy, milhares de brasileiras não se sentem confortáveis com a autoimagem quando se olham no espelho.

A psicóloga da Hapvida NotreDame Intermédica, Ivana Teles, explica que não há nada de mais em postar uma imagem no Instagram usando um filtro, fazer um retoque utilizando o Photoshop, nem encolher a barriga na hora da foto. O problema é quando a preocupação com a aparência torna-se excessiva, o que pode levar o indivíduo a desenvolver um transtorno dismórfico corporal (TDC) — ou simplesmente transtorno de imagem — que acontece quando a pessoa tem uma percepção alterada da sua própria aparência.

Estima-se que a condição atinge cerca de 2% da população mundial. No Brasil, mais de quatro milhões de pessoas, entre 15 e 30 anos, possuem o diagnóstico, que, muitas vezes, pode ser erroneamente confundido com vaidade excessiva.

Dentre os sintomas do distúrbio, estão fatores como a alta insatisfação com o corpo, mesmo após realizar procedimentos estéticos, gastos excessivos com produtos de beleza, comparação constante, ter outras áreas da vida afetadas devido ao não contentamento com o próprio corpo.

A influência das redes sociais
Para a psicóloga, o acesso rápido e fácil às redes sociais ampliou um movimento de comparação com a vida do “vizinho”. “Muitas pessoas estão entrando em um processo de autocobrança, buscando pela perfeição, querendo ser maravilhosos, quase modelos em suas aparências, tudo isso porque olham as redes sociais e acham que a vida do outro está perfeita”, afirma Ivana.

A questão, segundo a especialista, é que as pessoas procuram publicar apenas os momentos felizes, não postando as dificuldades, as crises, os conflitos e evitando mostrar a aparência real de seus corpos. Quem está consumindo passivamente esse tipo de conteúdo não pondera que aquela foto é apenas uma pequena parte da vida de quem posta e que, muitas vezes, está editada, mostrando apenas o que é agradável a quem publicou.

“Isso tem gerado um aumento na autocobrança e na comparação, fazendo com que o seguidor queira estar no mesmo nível dessas pessoas. Daí vem a necessidade de caprichar nos filtros, nos retoques, para aparentar perfeição”, ressalta.

Quanto ao corpo, celebridades e influenciadores optam por esconder os “defeitos”, na busca pela foto perfeita. “É normal termos poros, espinhas e uns quilinhos a mais. Isso tudo é normal, não é defeito e não tem problema nenhum. Porém, o processo de autocomparação fica tão gigantesco na cabeça da pessoa que ela simplesmente quer entrar em um molde de perfeição, dentro do que a sociedade diz como certo ou errado para um padrão de beleza que, na verdade, não existe”, destaca a profissional.

*Olhe para você com mais carinho*
Ivana diz que é necessário olhar com carinho para si mesmo, ter mais amor com o próprio corpo e acolher a beleza individual.
“Quando eu digo isso, você pode pensar: ‘Ivana, mas eu gosto mais do meu corpo malhado, mais magro’. Isso não é errado, você tem todo o direito de pensar como quer o seu corpo e trabalhar a respeito disso e está tudo bem, não há nada de errado a respeito, a questão que temos que levantar é: ‘o que você quer realmente para o seu corpo? Afinal de contas, essa resposta pode não se enquadrar dentro dos padrões da sociedade, nem dentro dos filtros do Instagram”, pontua a psicóloga.

Por fim, a profissional lembra a beleza que existe na singularidade e na autenticidade. “Dentro e fora das redes sociais, vamos aprender a nos amar um pouco mais, afinal de contas ser único é o que te faz singular neste mundo. Ser igual a todo mundo para quê? Qual é a graça?”, estimula a reflexão.

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