E longe dos filtros, você está bem?

spot_img
Compartilhe:

Por Elainy Castro

Como o uso excessivo dos filtros impacta a saúde mental.

Tudo pronto para tirar a foto: a pose perfeita, o look incrível, instagram aberto. Mas, espere: falta selecionar o filtro para ter o clique que vai gerar centenas, milhares ou até milhões de curtidas, comentários e reações. Com um filtro, as imperfeições desaparecem e o mundo impecável surge ali, ao alcance das mãos. Mas, e fora dos filtros? Você está bem com o seu rosto e o seu corpo ou prefere a “ajudinha” deles para se sentir bem?

Uma pesquisa feita para a campanha “Assuma sua Imagem” mostrou que 94% dos brasileiros concordam que o uso constante dos filtros pode impactar na autoestima. Já 58% admitem que o nível de cobrança estética pessoal aumentou perante o que viam nas redes sociais.

Em entrevista ao podcast Futuro da Saúde, o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Dênis Calazans, fala sobre a influência dos filtros do Instagram na busca por um padrão de beleza irreal. “Os filtros podem causar uma certa distorção. Não são raras as vezes em que pacientes chegam ao consultório com fotografias dizendo: ‘gostaria que meu nariz ficasse exatamente como esse’ ou ‘que minha mama fique dessa forma’. Antes, eu via pessoas com revistas nas mãos. Hoje, essa nova geração chega com o celular na mão. Quantas não são as celebridades que se sujeitaram a tantas e tantas cirurgias que deformaram um segmento corporal e que, agora, estão quase tangenciando o bizarro?”, reforça.

Melisa Raouf, candidata ao Miss Inglaterra sem maquiagem

Na contramão dos filtros

Na contramão da padronização e do que é tido como belo através das mídias digitais, pela primeira vez na história, uma mulher vai competir no concurso Miss Inglaterra sem maquiagem. Em cem anos, Melisa Raouf, é a primeira candidata a desfilar na passarela sem utilizar make. Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, Melisa diz que quer usar a visibilidade para mostrar às meninas e mulheres que não precisam usar maquiagem para se sentirem bonitas.“Se alguém está feliz em sua própria pele, então não deve ser obrigada a cobrir o próprio rosto com maquiagem. Nossas falhas nos tornam quem somos e é isso que torna cada indivíduo único. Acho que as pessoas deveriam amar e abraçar seus defeitos e imperfeições, pois sabemos que a verdadeira beleza está na simplicidade”, afirmou.

Em 2016, a cantora Alicia Keys também decidiu não usar mais maquiagem. Em uma carta ela disse: “Não quero me cobrir mais. Nem meu rosto, nem minha mente, nem minha alma” e nos anos seguintes, a cantora esteve “de cara limpa” em premiações e aparições.

A beleza está também nas imperfeições

Para o professor de psicologia do Centro Universitário Estácio São Luís, Jefther Felipe Lima, essa busca exagerada pode ser frustrante, já que ninguém é perfeito e o que é bonito hoje pode mudar amanhã. O professor e psicólogo alerta que não deve haver um padrão fixo e duradouro de beleza a ser seguido por todos.

Jefther alerta que os filtros buscam corrigir características físicas que não devem ser vistas como imperfeições, pois cada indivíduo carrega detalhes únicos, tanto emocionais quanto físicos. “A frequência do uso de filtros nas redes sociais pode fazer com que, em casos mais graves, a pessoa passe a se enxergar de forma diferente do que é na realidade: ou seja, ter uma distorção de sua autoimagem. Em casos menos graves, mas ainda assim dignos de cuidado, pode gerar frustração, tristeza e angústia relacionadas à aparência física”, alerta.

E o professor continua: “A História nos mostra como as perspectivas do que é belo mudaram, mudam e mudarão constantemente, bem como são muito diversos nas diferentes sociedades.” finaliza.

Compartilhe:

Talvez você queira ler também

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Propaganda

Relacionados

- Propaganda -spot_img
- Propaganda -spot_img

Últimas

Não esqueça o Zé Gotinha!

Saiba quais os riscos de não vacinar seu filho contra a poliomielite. Por Elainy Castro. Com certeza você lembra dele: Zé Gotinha é um personagem que...

Calor: Cuidados com a pele durante o B-R-O-Bró  

 Esteticista dá dicas sobre hábitos a serem adotados para evitar danos causados pelo sol   Com temperaturas ultrapassando os 40 graus na Capital Piauiense, a atenção...

“Em vinda de Fufuca em Timon, ex-vereador Ramon jr faz discurso emocionante aos seus apoiadores”

Em tom de emoção, o ex-vereador Ramon Junior, falou de sua luta como parlamentar pautada em busca de benefícios para a cidade e com...
Por Elainy Castro Como o uso excessivo dos filtros impacta a saúde mental. Tudo pronto para tirar a foto: a pose perfeita, o look incrível, instagram aberto. Mas, espere: falta selecionar o filtro para ter o clique que vai gerar centenas, milhares ou até milhões de curtidas, comentários e reações. Com um filtro, as imperfeições desaparecem e o mundo impecável surge ali, ao alcance das mãos. Mas, e fora dos filtros? Você está bem com o seu rosto e o seu corpo ou prefere a “ajudinha” deles para se sentir bem? Uma pesquisa feita para a campanha "Assuma sua Imagem" mostrou que 94% dos brasileiros concordam que o uso constante dos filtros pode impactar na autoestima. Já 58% admitem que o nível de cobrança estética pessoal aumentou perante o que viam nas redes sociais. Em entrevista ao podcast Futuro da Saúde, o presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP), Dênis Calazans, fala sobre a influência dos filtros do Instagram na busca por um padrão de beleza irreal. “Os filtros podem causar uma certa distorção. Não são raras as vezes em que pacientes chegam ao consultório com fotografias dizendo: ‘gostaria que meu nariz ficasse exatamente como esse’ ou ‘que minha mama fique dessa forma’. Antes, eu via pessoas com revistas nas mãos. Hoje, essa nova geração chega com o celular na mão. Quantas não são as celebridades que se sujeitaram a tantas e tantas cirurgias que deformaram um segmento corporal e que, agora, estão quase tangenciando o bizarro?”, reforça.
Melisa Raouf, candidata ao Miss Inglaterra sem maquiagem
Na contramão dos filtros Na contramão da padronização e do que é tido como belo através das mídias digitais, pela primeira vez na história, uma mulher vai competir no concurso Miss Inglaterra sem maquiagem. Em cem anos, Melisa Raouf, é a primeira candidata a desfilar na passarela sem utilizar make. Em entrevista ao jornal britânico Daily Mail, Melisa diz que quer usar a visibilidade para mostrar às meninas e mulheres que não precisam usar maquiagem para se sentirem bonitas.“Se alguém está feliz em sua própria pele, então não deve ser obrigada a cobrir o próprio rosto com maquiagem. Nossas falhas nos tornam quem somos e é isso que torna cada indivíduo único. Acho que as pessoas deveriam amar e abraçar seus defeitos e imperfeições, pois sabemos que a verdadeira beleza está na simplicidade”, afirmou. Em 2016, a cantora Alicia Keys também decidiu não usar mais maquiagem. Em uma carta ela disse: “Não quero me cobrir mais. Nem meu rosto, nem minha mente, nem minha alma” e nos anos seguintes, a cantora esteve “de cara limpa” em premiações e aparições.

A beleza está também nas imperfeições

Para o professor de psicologia do Centro Universitário Estácio São Luís, Jefther Felipe Lima, essa busca exagerada pode ser frustrante, já que ninguém é perfeito e o que é bonito hoje pode mudar amanhã. O professor e psicólogo alerta que não deve haver um padrão fixo e duradouro de beleza a ser seguido por todos. Jefther alerta que os filtros buscam corrigir características físicas que não devem ser vistas como imperfeições, pois cada indivíduo carrega detalhes únicos, tanto emocionais quanto físicos. “A frequência do uso de filtros nas redes sociais pode fazer com que, em casos mais graves, a pessoa passe a se enxergar de forma diferente do que é na realidade: ou seja, ter uma distorção de sua autoimagem. Em casos menos graves, mas ainda assim dignos de cuidado, pode gerar frustração, tristeza e angústia relacionadas à aparência física”, alerta. E o professor continua: “A História nos mostra como as perspectivas do que é belo mudaram, mudam e mudarão constantemente, bem como são muito diversos nas diferentes sociedades.” finaliza.