Mais de 30 milhões de brasileiras estão em falta com esse exame que pode salvar vidas
Reportagem/Bheatrys Soares
O nome é difícil. Mas, por trás da palavra complicada, existe um exame simples, rápido e que pode salvar vidas. Mesmo assim, milhões de brasileiras ainda deixam de fazer o preventivo regularmente, seja por vergonha, medo do resultado ou simplesmente por considerar o momento desconfortável.
O problema é que essa resistência tem impacto direto na saúde. Segundo dados do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab) do Ministério da Saúde, mais de 36 milhões de mulheres em todo o país estão há mais de três anos sem realizar o Papanicolau, conhecido popularmente como preventivo. O número preocupa, especialmente, porque esse é o principal exame para detecção precoce do câncer de colo do útero, doença que, segundo a estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca), deve vitimar mais de mil mulheres no Maranhão até o final deste ano.
COMO FUNCIONA
A ginecologista e professora do Instituto de Educação Médica (IDOMED) São Luís, Patrícia Tourinho, explica que o Papanicolau permite identificar alterações nas células do colo do útero antes que se tornem um câncer. “Através do preventivo, é possível descobrir as lesões pré-cancerígenas,
De acordo com o Ministério da Saúde, o exame deve ser realizado por mulheres a partir dos 25 anos que já tenham iniciado a vida sexual. Quando o resultado está normal, a recomendação é repetir a cada três anos, após dois exames consecutivos anuais sem alterações.
Mas, se é rápido e tão importante, por que tanta gente ainda evita? A resposta passa por questões culturais e emocionais. “Não é um exame doloroso, mas pode causar desconforto, tanto pela exposição da paciente quanto pela forma de coleta do material, que envolve a colocação do espéculo a fim de que o médico possa visualizar o colo do útero. E isso ainda gera muito tabu”, explica a médica.
Vergonha, medo e até experiências anteriores negativas acabam afastando muitas mulheres dos consultórios. Por isso, segundo Patrícia, um ponto essencial é a relação de confiança com o profissional de saúde. “O mais importante é que a paciente se sinta confortável e segura com o médico. Esse vínculo ajuda muito a quebrar essa barreira e tornar o exame mais tranquilo”, afirma.








