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Representar é também se posicionar. Representatividade silenciosa ou…

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O governo do prefeito Rafael Brito sofre de uma verdadeira letargia quando o assunto é corporativismo, companheirismo ou qualquer outra atitude que o defina na hora em que mais se precisa de apoio.

Em publicação neste espaço, que considero importante para as discussões, tratei de um tema relevante: as comparações feitas entre os pré-candidatos à Câmara Federal Doutora Gisele e Henrique Junior, divulgadas por um perfil apócrifo em rede social, que não apenas comparava, mas subjugava a posição da primeira-dama do município, reduzindo sua trajetória à condição de “esposa do prefeito”.

O episódio, por si só, já seria grave. Mas ganha contornos ainda mais preocupantes quando observamos a reação — ou a falta dela — dentro do próprio governo.

Mesmo sendo uma gestão em que o prefeito faz questão de destacar a presença de muitas mulheres em cargos de relevância, poucas se manifestaram diante de um caso que claramente ultrapassa o debate político e entra no campo do desrespeito e da deslegitimação da mulher no espaço público.

A exceção foi a vice-prefeita Socorro Waquim, que se posicionou de forma firme por meio de nota de repúdio. Em sua manifestação, ela não apenas defendeu a trajetória profissional da Doutora Gisele, como também foi além: classificou o episódio como uma tentativa de deslegitimar, com fins político-eleitorais, a presença de uma mulher na política. Mais ainda, trouxe à tona a Lei nº 14.321/2022, que tipifica a violência política contra a mulher — justamente para coibir práticas como essa, que constrangem, silenciam e tentam afastar mulheres dos espaços de decisão.

Ao afirmar sua solidariedade à Doutora Gisele e repudiar toda forma de violência política contra a mulher, a vice-prefeita cumpriu um papel que deveria ter sido coletivo dentro da gestão.

Fora essa manifestação — e para não ser injusto — não se viu um posicionamento claro de outras mulheres que integram o governo. E esse silêncio, diante de um caso dessa natureza, não é apenas ausência: é omissão.

Se o governo se orgulha de ter mulheres em posições estratégicas, é preciso que essa presença se traduza em atitude, sobretudo quando uma delas é alvo de ataques que reforçam preconceitos e desigualdades ainda tão presentes na política.

Afinal, representatividade não pode ser apenas número ou discurso. Precisa ser prática, postura e coragem.
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