Os artistas integram a primeira ‘Mostra de Imagem em Movimento (MAPA)’ em Brasília, com exibição na Casa da Cultura da América Latina (CAL) entre os dias 9 e 31 de julho. A entrada da galeria é gratuita.
A produção audiovisual que nasce de São Luís e Coroatá ganha destaque nacional em julho. Cinco artistas do Maranhão que integram a primeira ‘Mostra de Imagem em Movimento’ (MAPA) exibem curtas-documentários na Casa da Cultura da América Latina, em uma homenagem inédita à produção cultural e a videoarte no Brasil.
Cineastas, curadores, convidados especiais e artistas brasileiros são aguardados no Distrito Federal para apreciar as obras e conhecer expoentes da cinematografia do Nordeste do país. A assinatura maranhense fica por conta de Acaique, Dinho Araújo, Inke, Ramusyo Brasil e Silvana Mendes, que assinam cinco obras do MAPA em 2026.
Representando o Maranhão, os artistas cativaram o público e a torcida de São Luís após as exibições do “Festival MAPA” nas cidades – que integrou a primeira etapa da Mostra de Imagem em Movimento. Logo na estreia, centenas de maranhenses assistiram uma programação estilo “cinema a céu aberto”, projetando as praças Nauro Machado e Valdelino Cécio com a técnica e o fascínio do videomapping.
Atravessando as fronteiras da videoarte contemporânea, o MAPA traz agora o olhar artístico de São Luís para Brasília. Dentro da Casa da Cultura da América Latina (CAL) as obras são acompanhadas de entrevistas inéditas com os artistas, bastidores da produção e um recorte especial das videoinstalações na capital do Maranhão.
Entre as exibições, os curtas-documentários trazem Uma Casinha no Trilho, de Acaique; História da Terra, de Dinho Araújo; Frágil Dureza, de Inke; Temp(l)o do Rosa Fixado, de Ramusyo Brasil; e Sol de Meio Dia, de Silvana Mendes.
Inserindo a produção artística do Maranhão no circuito nacional de audiovisual, o MAPA tem ampliado o diálogo entre território, linguagem e curadoria contemporânea, através do resgate às memórias ferroviárias que atravessam a Estrada de Ferro Carajás. Para o curador e coordenador-geral do projeto, João Pacca, os artistas convidados permitiram criar uma observação rica da cultura nos territórios.
“O MAPA nasce do encontro entre arte, território e memória. Os artistas do Maranhão transformam experiências locais em narrativas capazes de dialogar com públicos de todo o país, mostrando que o ‘MAPA’ do Nordeste brasileiro também é um espaço de inovação e produção audiovisual contemporânea. A mostra chega agora de cara nova em Brasília, a fim de dialogar com suas múltiplas vertentes”, conclui João.
1ª edição do MAPA: conheça abaixo os artistas e as obras do eixo Pará
Formado por cinco artistas do Maranhão e outros cinco artistas do Pará, a 1ª edição do MAPA mostra a força da videoarte e do videomapping pelo Brasil, através do seu corpo artístico.
Levando a cultura maranhense, suas tradições e a trajetória pessoal de Coroatá (Cocais) para Brasília, Acaique integra o corpo de artistas do eixo Maranhão do MAPA. “Eu era fascinada, quando criança, em ficar sentada perto, no mato, observando os homens que trabalhavam dentro do trem de carga. E eles pareciam não ter nenhum tipo de vaidade. Eu ficava comovida pela natureza real das coisas”.
Sendo esse fio condutor que atravessa gerações de maranhenses, a memória da região também é um terreno fértil para a criação de Dinho Araújo. O antropólogo maranhense revisita tradições populares como o bumba-meu-boi e associa elementos folclóricos e o paisagismo para criar um MAPA poético em torno do movimento. “Minha perspectiva para esse projeto é apresentar uma mirada sobre a história que não se configura apenas como uma história humana”, comenta.
Aprendendo sobre territórios e ‘histórias de vida’ ao redor da EFC, Inke também retrata às experiências à bordo do trem, desta vez, sob a perspectiva da diáspora. “Você tem uma população majoritariamente negra, majoritariamente desassistida em muitos aspectos, e que depende desse meio de transporte que, inclusive, é extremamente útil, por ser acessível e de baixo custo para as pessoas” retrata.
Em diálogo com a investigação sobre memória e presença na região, a mostra ainda destaca as inquietações de Ramusyo Brasil. “A minha criação, as minhas inquietações, elas sempre giram em torno de alguma dimensão política da vida, de uma obra de arte, de um filme ensaio, e como parte de experiências vividas”, diz.
Na sequência, quem conduz as narrativas do MAPA é Silvana Mendes, que traça o passado e o presente das comunidades ao redor da EFC a partir do trabalho da arte visual. “A maneira que a memória se transforma em arte no meu trabalho é crucial e essencial, na verdade. Se você tira a identidade de um povo, você transforma ele em qualquer coisa que você quiser”, conta.
Juntos, esses artistas se reúnem a outros cinco selecionados do Pará, a fim de transformar lembranças, relatos e vivências em obras que dialogam com o público. Ao lado de Bárbara Savannah, Ícaro Matos, Juruna, Leonardo Venturieri e Rafa Cardozo, o time de dez artistas do MAPA expõe suas obras na ‘Casa da Cultura da América Latina’ (CAL) durante todo o mês de julho.
A 1ª edição do MAPA – Mostra de Imagem em Movimento é realizada pela OPACCA Produção de Imagem, com articulação e parceria da Vale, por meio de Recursos para Preservação da Memória Ferroviária (RPMF), e é uma iniciativa da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).
Confira abaixo os documentários e os artistas participantes:
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Tudo é Correnteza, de Rafa Cardozo;
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Um Horizonte em Movimento, de Bárbara Savannah;
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Travessia, de Ícaro Matos;
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Todo trajeto, também é um rio, de Juruna;
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Alvorada e Fuga, de Leonardo Venturieri;
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Uma Casinha no Trilho, de Acaique;
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História da Terra, de Dinho Araújo;
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Frágil Dureza, de Inke;
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Temp(l)o do Rosa Fixado, de Ramusyo Brasil;
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Sol de Meio Dia, por Silvana Mendes;








