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Luciano cobra justiça no FUNDEF, mas não explica os escândalos de sua gestão

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O vídeo de Luciano Leitoa tenta construir uma narrativa emocional em defesa dos professores, usando frases de impacto como “não é favor, é direito” e cobrando o pagamento dos juros do FUNDEF. A estratégia é clara: reposicionar sua imagem politicamente diante da pré-campanha para deputado estadual, tentando ocupar o espaço de defensor da educação e dos profissionais do magistério.
O problema é que existe um contraste enorme entre o discurso apresentado no vídeo e o histórico administrativo de sua própria gestão.
Luciano fala como se estivesse distante dos problemas da educação em Timon, quando, na verdade, governou o município por dois mandatos consecutivos. Não foi oposição. Não foi espectador. Foi prefeito com controle político e administrativo da máquina pública durante oito anos. Portanto, carrega responsabilidade direta sobre tudo o que ocorreu nesse período, especialmente nas áreas ligadas ao FUNDEB e ao transporte escolar.
O vídeo aposta fortemente na emoção, na valorização dos professores e na ideia de injustiça histórica. Porém, omite completamente que sua gestão foi atingida pela Operação Topique, da Polícia Federal, que investigou desvios milionários em recursos do transporte escolar. Recursos justamente ligados à educação pública e ao FUNDEB.
A contradição política é inevitável.
Enquanto hoje Luciano tenta aparecer como voz moral em defesa dos recursos da educação, sua administração esteve no centro de um dos episódios mais graves envolvendo verbas educacionais em Timon. Empresários investigados chegaram a ser presos, houve determinações de devolução de dinheiro público e o caso ganhou repercussão nacional. A população lembra disso.
Outro ponto evidente no vídeo é a tentativa de transferir para terceiros a responsabilidade pelos problemas atuais, ignorando que o grupo político liderado pelos Leitoa governou Timon durante muitos anos. Chico Leitoa foi prefeito por dois mandatos e ainda fez sucessores. Luciano herdou essa estrutura e também deixou sua marca administrativa. Portanto, não cabe agora agir como alguém “de fora do sistema”.
O discurso perde força exatamente porque esbarra na memória dos fatos.
Defender professores é legítimo. Cobrar direitos também. Mas quem teve oito anos para demonstrar compromisso absoluto com a educação pública precisa aceitar que será confrontado pelo próprio histórico administrativo. Política não pode funcionar apenas na lógica do marketing emocional e dos vídeos bem produzidos para redes sociais.
No fim, o vídeo parece menos uma defesa espontânea dos professores e mais uma tentativa calculada de reconstrução de imagem eleitoral, buscando apagar desgastes, escândalos e críticas acumuladas ao longo de duas gestões que deixaram marcas profundas na administração pública de Timon.
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